episódio # 40 – pagã (em: filosofias baratas)

isso foi em 02.Nov.07 e 4 comentaram

Eu realmente não entendo halloween no Brasil. E sei que corro o risco de ser mais pseudo-cult do que tento ao afirmando isso. Quero avisar também que eu não sou partidário do MV-Brasil, mas o que a nossa história tem haver com Inquisição, caça as bruxas e coisas do tipo?

O dia das bruxas remonta a transição do império romano para o domínio do pensamento cristão sob o mundo. Como sabemos, as tradições pagãs começaram a ser perseguidas, e pelo menos diz-se que nesse dia (31 de Outubro) havia uma grande culto para um deus pagão qualquer que eu não sei qual é. Tratava-se de um ritual que envolvia celebração dos mortos (será coincidência que dia logo hoje é finados?) realizado por druidas e feiticeiras.

Falar em nomes assim hoje em dia só pode significar que você é algum fã de RPG, mas esse tipo de coisas realmente existiu quando o mundo era dominado por um misticismo muito maior. Bem, fato é que os termos viraram sinônimo de bruxaria, coisa do Tinhoso. A história se tornou popular nos Estados Unidos após a imigração dos colonos escoceses por volta de 1.800. Esses povos nórdicos sempre tiverem uma tradição mítica muito forte, faz sentido entender como a história durou tanto tempo sob suas mentes. O berço dos povos bárbaros (ou seja, aqueles que não falavam o latin) tem uma história de formação pouco ligada a Europa Central, a cultura dos deuses olímpicos e posteriormente do catolicismo romano.

Os americanos transformaram a data à sua moda, numa celebração animada de crianças atrás de doces. E isso realmente acontece por lá, principalmente naqueles subúrbios bizarros alá “Desperate Housewives”. Mas e aqui? Que se passa?
Bem, para os brasileiros dia das bruxas não tem significado nenhum, tanto que pessoas adultas normalmente nem se ligam nisso. É uma data principalmente lembrada pelos jovens que tem seu cotidiano estreitamente ligado com os EUA. Não vou ficar aqui discorrendo discursinho sobre imperialismo e panz, estou apenas falando os fatos. Somos sim subordinados culturalmente, mas sem pensar nos extremos: de que a cultura brasileira acabou, ou de que esse papo de influência cultural externa é besteira. Cabe a cada um avaliar até que ponto o capitalismo lhe toca.

O fato para mim é de que halloween no Brasil fica uma coisa brega e sem sentido. No final das contas vira mais um motivo para brasileiro fazer festa, coisa que a gente realmente adora. Só que nesse caso com o adicional da fantasia. Fico me perguntando por que então não comemoramos dia de ação de graças? Ou o memorial day? Teria tanto sentido quanto.
Só lembrando que para a religião wicca a data tem um valor bem diferente da brincadeira americana. Não sei como é, mas acredito que tenha um pouco haver com a raiz histórica que eu citei no início do post.

Sei que sou chato, é que eu gosto Se você saiu pra comemorar o dia das bruxas, ou gosta da data, tudo bem. Minha idéia era só fazer você parar pra pensar oq significa. Mas afinal de contas, eu sei que nem tudo na vida precisa ter justificativa ou motivo. Uma desculpa para farrear também cai bem

~ fiz seis novos icons, os primeiros do anime Naruto. Não conseguia dar nenhum acabamento que me agradasse, ficaram estranhos e escuros. Bem, tire você suas conclusões na página /icons
~ falar em cultura pagã me lembra de “As Brumas de Avalon”. Por favor, se tiverem uma oportunidade assistam o filme (e depois lleiam o livro )
~ Estou muito feliz pela minha mãe, por ter conseguido publicar mais uma vez um artigo junto com outros pesquisadores (veja aqui). Mais legal que isso é que ela foi convidada a publicar sua tese de doutorado sozinha em livro, nesse último congresso que esteve. Não é maneiro? Quando crescer quero ser produtivo que nem ela *paga pau*

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autor & obra

O nome é Diego e tem 22 anos. Nascido e criado no Rio de Janeiro, mas atualmente divide um apartamento em Niterói. Não tem feito nada além de cursar o sexto período de Arquitetura & Urbanismo na UFF. Estuda japonês e pratica natação quando pode. Fotografia e partidas de Poker nos tempos vagos. Indeciso, preguiçoso e de opiniões volúveis.

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